A pandemia provocada pelo novo coronavírus em 2020 de repente inseriu novos hábitos em nossas vidas. Não sabemos ainda o que será considerado o “novo normal”, mas já é possível ter algumas certezas. Uma delas é que não conseguimos mais viver sem a presença da web.

E como a rede mundial de computadores se tornou um meio para trabalho e estudo, também ascende uma discussão sobre o assunto filhos na internet.

Por isso, precisamos estar atentos para perceber quando há sinais de que o uso de dispositivos digitais é excessivo e, claro, para garantir a segurança das crianças.

Continue conosco na leitura deste artigo, confira alguns sinais que evidenciam mau uso da internet e veja algumas soluções para garantir que seus filhos não fiquem na rede o tempo todo, mas sim a usem de forma divertida e educativa.

Como perceber que o uso da internet por seus filhos se tornou um risco?

Uma pesquisa realizada pelas consultorias Mobile Time e Opinion Box em outubro de 2019 contou com mais de 1.580 pais brasileiros de crianças entre 0 e 12 anos e revelou que todas elas têm contato com smartphones.

Além disso, no período de um ano, o número de crianças de 4 a 6 anos de idade que têm um aparelho próprio aumentou de 23% para 30%.

Quanto ao número de horas que os filhos ficam na frente da tela dos smartphones, a porcentagem do tempo aumenta conforme vai se aproximando a adolescência.

De acordo com a pesquisa, 32% das crianças na faixa etária de 10 a 12 anos permanecem mais de 4 horas por dia utilizando esses aparelhos. Nas faixas etárias anteriores, a maior parte das crianças usa o smartphone no mínimo 2 horas diariamente (24% a 32%).

Além disso, a utilização de redes sociais, como Facebook, Instagram e WhatsApp, aumenta substancialmente na faixa etária de 10 a 12 anos.

Como esses dados deixam claro, a atual geração de crianças e adolescentes é totalmente digital e não imagina como é o mundo desconectado.

A internet revolucionou, inclusive, a educação, com plataformas de ensino a distância, canais educativos gratuitos com conteúdos interessantes ― como é o caso YouTube Kids ―, aplicativos de estudos etc.

Com isso, é preciso entender a importância da educação digital para que seus filhos não apenas dominem as tecnologias, mas também saibam reconhecer conteúdos e informações relevantes que não coloquem em risco sua integridade nem a dos familiares e amigos.

Afinal, a possibilidade de exposição a conteúdos duvidosos também é alta, incluindo desde publicidade excessiva e materiais abusivos ou impróprios para menores de 18 anos até pessoas que agem de má-fé.

Além disso, o uso descontrolado de dispositivos digitais pode gerar sérias alterações biopsicossociais, inclusive causando a dependência da internet. Veja alguns comportamentos de risco:

  • dificuldade para socialização;
  • predisposição à solidão;
  • conflitos familiares;
  • associação com depressão e ansiedade (adolescentes são o grupo de maior vulnerabilidade);
  • exposição do próprio corpo;
  • engajamento em comunidades virtuais de ideologia destrutiva.

Não podemos nos esquecer, ainda, das consequências físicas do uso excessivo de smartphones, tablets e os próprios PCs, como:

  • visão prejudicada;
  • problemas posturais (coluna e pescoço encurvados);
  • tendinite;
  • distúrbios do sono.

Caso você desconfie de que seus filhos estão apresentando algum comportamento de risco ou sintomas físicos por conta do uso excessivo de recursos digitais, procure ajuda profissional imediatamente.

Como evitar que seus filhos fiquem na internet tempo todo?

Antes que você enfrente comportamentos extremos como os citados acima, é importante tomar atitudes preventivas de orientação, estipular regras e fazer a gestão do tempo de seus filhos para que eles não permaneçam na internet o tempo todo.

Então, confira as dicas que separamos a seguir para evitar o uso excessivo de dispositivos digitais.

Converse sobre algum assunto de interesse da criança

Especialmente no caso das crianças pequenas, é importante mudar seu foco das telas dos dispositivos digitais para o que está acontecendo no “mundo real”. Você pode fazer isso de maneira simples, convidando-as para uma conversa sobre algum assunto relativo ao universo infantil.

Conte histórias, convide as crianças para ajudar em alguma tarefa doméstica, mostre fotos de família, ensine-as a cozinhar ou simplesmente faça uma sessão das melhores piadas que elas conhecem. Tudo isso pode render divertidos momentos de interação offline.

Proponha brincadeiras offline

Outro jeito de desconectar seus filhos é propor a eles brincadeiras e jogos “offline”. Se for possível ir para espaços abertos, como áreas de lazer, o quintal de casa ou um parque, não hesite.

Assim, dá para correr, jogar bola, brincar de esconde-esconde ou caminhar em contato com a natureza. Dessa maneira, você garante que seus filhos interajam com você e, ainda, se movimentem o suficiente para manter um bom condicionamento físico e gastar energia.

Estimule a leitura de livros físicos

Se seus filhos gostam de ler, é importante não limitá-los aos livros digitais. Compre livros físicos e estimule o hábito de terem o livro nas mãos. Nas melhores livrarias, você encontra livros com indicação de faixa etária, os quais trazem as mais variadas possibilidades de interação com o leitor.

Enquanto “livrinhos de almofadas” encantam os bebês, os maiores podem se deliciar com livros em alto-relevo, figuras que saltam etc. Além disso, para os adolescentes, você encontrará ótimas sagas literárias, que incluem até mesmo box completos com muitas pistas para desvendar enigmas.

Tenha jogos de tabuleiro em casa

Quem não gosta de um bom e velho jogo de tabuleiro? Além de clássicos como xadrez e dama, ou títulos famosos como War, Banco Imobiliário e Detetive, você pode pesquisar as últimas novidades no mercado, que, com certeza, agradarão crianças e adultos.

Uma dica: busque opções de jogos que estimulem o raciocínio lógico e os conhecimentos gerais. E, assim como para os livros, também fique de olho na indicação de faixa etária. Se for possível, adquira um jogo que possibilite a toda a família jogar junto e ter momentos bem calorosos.

Ofereça atividades que estimulem a criatividade

Embora as telas ofereçam muitas interações que estimulem a criatividade infantil por meio de sites e aplicativos, recorra a atividades offline para evitar o uso excessivo desses dispositivos.

Colorir livros de desenhos, fazer esculturas de massinha, preparar artesanato com materiais recicláveis, tocar um instrumento ou brincar de ser um chef de cozinha são alguns exemplos de atividades que estimulam a criatividade e contribuem para o desenvolvimento da coordenação motora fina.

Use brincadeiras que utilizem lógica de programação

Você já ouviu dizer que “a programação é o novo inglês”? Pois bem, mesmo que seja essencial equilibrar a maneira como os filhos utilizam a tecnologia, não podemos nos esquecer de que estamos vivendo em um mundo hipercontectado e que, cada vez mais, as profissões do futuro vão exigir domínio dos recursos digitais.

Então, saiba que é possível trazer os fundamentos e benefícios da programação para uma “realidade” offline e incentivar a chamada “cultura maker” sem um recurso digital sequer. Dois exemplos de brincadeiras com essa lógica são:

  • decifrar palavras e frases por meio de códigos: usando símbolos, letras e formas geométricas escritos em um papel, o objetivo é desvendar o que está escrito;
  • brinque de robô humano: escolha alguém para ser o robô e outra pessoa dá as coordenadas para cumprir um objetivo. Para ficar mais difícil, você pode vendar os olhos do robô e pedir que o orientador sorteie placas com as direções.

Como você viu, evitar a presença de seus filhos na internet o tempo todo não é tão difícil assim. Aqui vai uma última dica: estabeleça limites desde cedo, assim você evita estresse e conflitos decorrentes dos possíveis efeitos do uso excessivo dos dispositivos digitais. Além disso, mantenha o diálogo e a orientação sem afrouxar regras.

Bem, já que estamos falando sobre “desplugar”, não vá embora sem acessar o Desplugaí e baixar inúmeras atividades de programação offline para fazer em casa com as crianças!