Durante muito tempo, a internet foi (para muitos ainda é) sinônimo único de entretenimento, um lugar onde tudo pode e onde não há leis que regulem comportamentos.

Muito comum ouvir de adultos a frase: “Ele não me dá um pingo de trabalho e passa horas no computador em seu quarto”. Mas, é importante lembrar que as novas tecnologias tanto podem constituir ferramentas para o bem como para o mal e, apesar do orgulho que temos de nossos jovens contarem com uma habilidade ímpar para lidar com elas, não podemos nos esquecer de que nada mudou sobre sua condição peculiar de ser em desenvolvimento e, portanto, são desprovidos de maturidade e discernimento suficientes para perceber as vulnerabilidades a que encontram-se, assim como nas ruas, no mundo digital.

Com muita certeza e segurança, e pela experiência que temos na área do direito e da educação digital[1], muitos crimes e ilícitos cibernéticos, sobretudo aqueles envolvendo crianças e adolescentes, poderiam ser evitados com orientação e informações adequadas e tempestivas.

Como bem define a professora e advogada especialista em direito digital Juliana Abrusio “por falta de conhecimento, muitos indivíduos, especialmente crianças e adolescentes, têm sido dominados pelos encantos negativos do mundo digital, ao invés de utilizarem as ferramentas oferecidas como recursos para as tantas vantagens e possibilidades saudáveis que ela oferece. A maior fragilidade, portanto, não está no meio, ou seja, na internet em si, mas na forma de utilizá-la, e consequentemente no próprio usuário”[2].

Ok!!!!! Eu sei que para as gerações que não cresceram conectadas não é nada fácil tentar acompanhar esta dinâmica. “Nãooooo, eu não quero um celular novo, não quero que você faça a atualização do meu agora que eu aprendi a usar, não quero baixar este outro aplicativo, nem fazer parte de outra rede social. Quero pegar na mão o produto antes de comprar. Não vou cadastrar meu cartão de crédito na internet coisa nenhuma. Não dá pra pagar via boleto bancário na agência? Por que tanto botãooooo? Só quero assistir a minha novela!!!!! Aperto onde??? Como configura isso??????????? Como aumenta a letra disso aqui?”

Os avanços tecnológicos continuarão evoluindo e a cada dia apresentando mais e mais soluções e alternativas para “facilitar” a vida da sociedade. Resistir a estes avanços ou fingir que nada está acontecendo não é a melhor alternativa, pelo contrário. É preciso lembrar que, se de um lado temos filhos que dominam a tecnologia e são, naturalmente, imaturos, de outro, temos pais, avós, padrinhos, tios, professores mais experientes com a vida, apesar da pouca (ou nada habilidade) com a tecnologia. E aí que está o ponto!!!!!

Você me ensina e eu te ensino. Sacou?? Claro que a avó ou a mãe não precisam aprender a jogar Minecraft (a menos que queiram), mas tem muita mãe e muita vó anotando loucamente, durante o programa, a receita da Ana Maria Braga, por não saber que está tudinho disponível na internet, onde ela pode parar, voltar, adiantar e assistir mais um milhão de vezes, além de compartilhar com as amigas.

Mas, voltando ao Minecraft e vários outros jogos, programas, vídeos, youtubers e aplicativos que despertam o interesse da molecada, você pode não querer jogar, interagir, participar e até gostar, mas conhecer e tentar entender por que seu filho, neto, aluno ou sobrinho fica hipnotizado com eles é, no mínimo, interessante. Reconhecer que curiosidade e habilidade tecnológica são, sem dúvida, características fundamentais para as profissões do século XXI é um importante passo.

Não é por que você não teve uma infância tecnológica que não deve atualizar-se sobre o que hoje encanta as novas gerações. Que mágica, que segredo é esse que faz uma criança e um adolescente querer ficar tanto tempo diante das telas?

A internet, quando utilizada com ética, segurança e responsabilidade é, sem dúvida, uma ferramenta fantástica, assim como meio de comunicação e acesso a informação sensacional e incomparável a qualquer outro.

Esta troca, associada à educação, constitui importante e eficiente meio de proteção dos usuários da Internet. Engana-se quem pensa que somente crianças e adolescentes são sujeitos vulneráveis no universo digital. Adultos, inclusive aqueles que “dominam” a tecnologia, também são e quanto mais nos mantermos informados e atualizados sobre as formas de proteção, menores serão os riscos de nos tornarmos vítimas e também infratores, por que não?

Independente da faixa etária e a finalidade para a qual a internet é utilizada: jogar, comprar, vender, se relacionar, pagar contas, é preciso conhecer os riscos e oportunidades que ela representa, pois, somente os conhecendo é que podemos otimizar nossos ganhos e mitigar prejuízos.

Finalizo com uma frase maravilhosa e muito pertinente ao nosso “bate papo”, de Paulo Freire: “QUEM ENSINA APRENDE AO ENSINAR E QUEM APRENDE ENSINA AO APRENDER”

Por Alessandra Borelli

[1] Nethics Educação Digital – Quem somos – Disponível em: < http://nethicsedu.com.br/quem-somos/ > Acessado em 14/03/2017

[2]  Abrusio, J; Vainzof, R. Educação Digital. Apresentação. São Paulo. Revista dos Tribunais. 2015